segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Para que servem 4 mil anos?

Quando via companheiros de geração obrigados a trabalhar durante uns tempos sem receber um salário, sob o capote do estágio, eu costumava dizer que ao menos, aos escravos que construíram as pirâmides davam de comer e de dormir, e partia com a maior das facilidades para um discurso de alerta sobre a regressão do homem ocidental nos últimos 4 mil anos. Lamento tê-lo feito.
Descobertas recentes mostram que os operários das pirâmides eram homens livres, que cumpriam em obra 3 meses, gozando depois de descanso, e que os mortos em obra eram sepultados na sombra das pirâmides, o que esclarece sobre o estatuto social de um operário das pirâmides. Está tudo aqui

O que se passa actualmente no inicio da vida laboral é asqueroso. Profissionais que detêm um título (geralmente o de membro efectivo de uma Ordem) escravizam homens e mulheres que aspiram a poder exercer o oficio para o qual foram formados. Não lhes é devido qualquer salário nem qualquer subsidio, apesar dos explorados produzirem trabalho e se apresentarem, às suas próprias custas, condigna assídua e pontualmente no local de trabalho. E não lhes é concedida liberdade, uma vez que o caminho do estágio é o único que os conduz à prática profissional plena.
Há 4 mil anos, no Egipto, os homens eram governados por uma entidade semidivina, o Faraó. Mas ainda assim, o valor do trabalho do homem era maior do que o valor do trabalho dos homens de agora. E agora somos governados por homens iguais a nós!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Tempo de balanços, 20 anos de mudanças

1) Há 20 anos, a política girava à volta de Cavaco Silva e de Mário Soares. Hoje, meus amigos, quem sem lembra destas personagens?

2) Há 20 anos, o Presidente da República e o primeiro-ministro passavam a vida em guerras mais ou menos estéreis e em intrigas palacianas um contra o outro. Vejam só como a vida política era ridícula e como hoje ela é diferente...

3) Há 20 anos, o partido da oposição estava numa grande crise e aventava-se o seu fim. Hoje, felizmente, todos entendem o papel da oposição.

4) Há 20 anos, a Justiça era acusada de favorecer os ricos e os poderosos, além de ser muito lenta a resolver os casos em litígio. Hoje há respeito pela magistratura.

5) Há 20 anos, jornais como o "Diário de Notícias" pertenciam ao Governo. Hoje essa ideia seria impensável.

6) Há 20 anos, a Galp, a EDP, a PT e outras grandes empresas eram do Estado e uma pessoa só podia ser administrador de qualquer delas se o Governo deixasse. Hoje, tudo mudou e todas essas empresas são privadas.

7) Há 20 anos, uma pessoa para ter uma consulta ou uma operação ficava numa coisa chamada 'lista de espera'. Hoje chega a parecer ridículo só o nome.

8) Há 20 anos, os professores não eram avaliados. Hoje isso seria um cenário impensável.

9) Há 20 anos, era impossível ver uma ópera de jeito em São Carlos porque o país não tinha dinheiro para pagar produções decentes. Hoje, felizmente, temos o que queremos e da melhor qualidade.

10) Há 20 anos, José Sócrates ainda não tinha acabado o curso de Engenharia Civil nem se tinha revelado um grande estadista.

Comendador Marques de Correia in Expresso on-line

Fender Stratotacho

Norbert Pavel com Jean Michel Jarre em Budapeste. A evolução do rock psicadélico chama-se JMJ

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Reposição da verdade da história

No dia 10 de Outubro de 2008 escrevi aqui:

"Sob o pretexto de que ninguém marca a agenda do PS, senão o próprio – qual Valentim! – hoje, no parlamento chumbou-se a alteração à lei do casamento, que permitiria o casamento entre homossexuais. [por proposta do BE] A agenda… O PS subverte assim aquilo que o pariu, a ele e a todos os outros partidos. A agenda de um partido passa a ser mais importante do que a agenda de pessoas, que, só por não terem as preferências, no caso sexuais e afectivas, da maioria, se vêm privados de serem felizes, por uma questão de AGENDA do PS. AGENDA… Mas será que aquelas pessoas não conseguem entender a razão porque estão lá? A verdadeira, não essa! (...)"

Hoje, como se sabe, foi aprovada a tal alteração à lei do casamento, que passa a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo, deixando - ainda - de fora a adopção; desta feita por proposta do PS.
O grande líder, secundado pelo líder da bancada do grande líder, acaba de afirmar que é um dia histórico no parlamento do país, porque finalmente se reconhecem direitos iguais a pessoas que historicamente muito foram descriminadas neste país.
Será que na referência a "historicamente" só se considera a história antes de 10 de Outubro de 2008? Um pedido de desculpas não foi com certeza.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Na estrada para o trabalho

Este homem faz-nos diferentes e melhores.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Uma só nota....

A propósito do post abaixo, veio-me logo à memória esta grande música.
Estes senhores fizeram história com uma nota só.



(repare-se na quantidade de mestres que ali se juntaram....o Vinicius de Moraes também lá está, mas deve ter saído para molhar a garganta ;)

A facilidade com que se pode dizer a verdade

"David Gilmour can do more with one note than most guitarists can do with the whole fretboard." Dave Mustaine

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

As lições da Primeira República

O problema que se põe agora com os scanners xpto nos aeroportos é o problema que sempre se pôs quando se aprofunda a intromissão das instituições na liberdade individual dos cidadãos.
Sidónio Pais foi desejado pelo povo para presidente, liderou o golpe, assumiu funções e convocou eleições para que o povo lhe legitimasse a função. Com essa legitimação foi-lhe possível alterar a lei eleitoral sem consultar a assembleia. Tal alteração não constituía qualquer problema aos olhos de ninguém, pela simples razão de que era Sidónio quem detinha o poder. O problema surge quando Oliveira Salazar pôde usar deste princípio para atentar contra o povo.
Resumindo, o problema não é o que o Sidónio faz, é o que Salazar pode fazer com o que o Sidónio fez.
Faço-me entender?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Musica para o novo ano

Estou impressionado (e de que maneira) com esta juventude e com forma como cresceram. Artic Monkeys.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Outros natais

Is it worth it?
A new winter coat and shoes for the wife
And a bicycle on the boy's birthday
It's just a rumour that was spread around town
By the women and children
Soon we'll be shipbuilding

Well I ask you
The boy said, "Dad they're going to take me to task
But I'll be back by Christmas"
It's just a rumour that was spread around town
Somebody said that someone got filled in
For saying that people get killed
in the result of this shipbuilding

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

espírito natalício, ou a falta dele


Vou deixar os agradáveis 25 graus e meter-me numa cápsula ryanair por 3 horas para, por fim, passadas as tormentas da labuta de uma vida, chegar ao.... frio. Como eu gosto do Natal...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Boião da Cultura


Orchestre National de Jazz - Around Robert Wyatt
Fica o aperitivo de um álbum absolutamente imperdivel. Ainda não consegui carregar no stop.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Momentos muito grandes existem em noites muito escuras

Sopram ventos de uma ténue esperança vindos de Lanzarote. A vergonha chegou aos homens da Terra.
Aguenta um pouco mais.

"são pessoas como ela que dão personalidade ao nosso tempo, e sem Aminetu todos seriamos mais pobres". José Saramago

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

redbull air race

E porque não levar o S. João para Lisboa também? Terá potencialmente mais público a beber cerveja. Ah, e a Casa da Música, pelas mesmas razões também deverá em breve ser apetrechada com umas rodas para se poder deslocar até ao centro da praça do comércio... Serralves em Monsanto... e claro, o FCP no estádio nacional, ou de Oeiras como também é chamado. Afinal de contas, se o FCP é o que é numa cidade de um milhão, imaginem o que seria numa de 4 milhões...
Um dos maiores sociólogos da actualidade, Richard Florida, diz no meio de um estudo sobre regiões metropolitanas, que é possível estabelecer uma relação entre o desenvolvimento sócio-económico de um país e o seu grau de descentralização.

Eu creio que isto faz parte da campanha para o referendo sobre regionalização do país. Assim toda a província vai querer regionalização, sem saber que regionalização. Eu, que sou ponderadamente regionalista, não a aceitarei a qualquer preço, e espero que os meus caros companheiros de província me acompanhem e não respondam ao referendo como aparentemente querem que respondamos.

ps. queria enviar daqui [qual jorge coelho] um sentido, fraterno e grande abraço a um amigo que foi o pai do air race no Porto e a quem nunca agradeceram. Ou melhor, agradecem, desta maneira. Anda-te embora que essa terra não te merece!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ponto de situação

Penso hoje no que diria um qualquer Belmiro se a sua sonae desse o mesmo lucro agora que dava quando foi criada. Melhor ainda, que lhe desse menos lucro. Melhor ainda, penso no que faria esse Belmiro se ao fim de 30 anos descobrisse esse cenário.
É bom que se entenda muito bem o que significa para esta República o facto de passados 30 anos oferecer um salário mínimo inferior ao salário mínimo praticado aquando da sua instituição. Quanto mais depressa compreender-mos que isso significa que estamos condenados a viver com menos condições que os nossos avós, o que é praticamente impossível (qual de vós pode ja viver sem telemóvel, internet, tv cabo, carro, menos de duas televisões, roupa-nova-sem-remendos, poupança-reforma, poupança-habitação, seguro de vida, seguro de tudo-e-mais-alguma-coisa - podia estar aqui até amanhã), mais depressa acabamos com esta república e começamos outra coisa qualquer. O actual esforço socialista de distribuir tudo por todos até ao desmantelamento final não me parece nada má ideia, uma vez que o tudo é de todos. Não me parece grande ideia é não sabermos o que vamos fazer a seguir.

A Rosa Mota do youtube

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Palhaço

Boa metáfora do Mário Crespo aqui

sábado, 12 de dezembro de 2009

Escritos

"Tenho medo desse negócio de cultura de um livro só."
A propósito de Mao e do seu livrinho vermelho. Referência complexa, mas será um amigo de Caetano Veloso citado na ípsilon

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Os dias de assombro VI

Quando o assombro se tornou assim, desconcertante; quando o sem-nexo encarnou o belo; o viajante foi trabalhar.
Inspirado por estes dias de assombro.

uma data importante

Hoje, 3 de Dezembro de 2009, o FMI começou o assalto a Portugal. Já muitos estrebucham em Lisboa, mas o resto do país segue absorvido pela dura tarefa de falir um país falido.