segunda-feira, 20 de julho de 2009

Jovem procura PSD para relação aberta

O seguinte texto foi publicado este fim de semana no EXPRESSO ONLINE por Ricardo Costa. Espero com este post não estar a violar nenhuma regra, mas desconfio que começarão a surgir e-mails com este texto (à boa maneira do que fazem os adeptos do Miguel-Sousa-Tavarismo), por isso em jeito de antecipaçao fica aqui.

"Cara dra. Ferreira Leite, espero que não leve a mal esta carta. Procurei-a no Facebook mas achei que aquilo não era feito por si e que, assim, o assunto ficava entre nós os dois.

Vou directo ao assunto porque não deve ter muito tempo. Terminei o curso há dois anos, a vida corre-me bem na consultora e um partner disse-me outro dia que nasci para "criar valor" (a coisa mais bonita que me disseram na vida). Enviei o meu curriculum para vários bancos de investimento e estou pronto a provocar "choques de gestão" noutras paragens. Mas esta semana o professor que mais admiro disse-me que eu devia aguardar, porque ele me pode levar para o seu governo.

Fiquei baralhado. Este professor passou o curso a dizer que o Estado não presta, que o sector privado é que é bom, que os hospitais deviam ser privados e as escolas idem, e que o PSD devia ser fechado de vez. Não repito o que ele dizia de si (não eram coisas bonitas), mas ele agora tem ido a umas sessões num instituto lá no PSD. Anda entusiasmado com isso, mudou de blogue e já escreveu dois posts a dizer que tem preocupações sociais...

Acho que ele costuma lá ir com um amigo que pode chegar a ministro (e que costuma garantir trabalho lá na minha consultora) e outro que é advogado num escritório grande, e que lembra com saudades os tempos do governo do dr. Barroso, seja lá o que isso quer dizer. Eles andam a recrutar gente como eu.

Na verdade, eu admirava a determinação do Sócrates, defendia a privatização da Caixa e achava que o Rendimento Social de Inserção era uma medida horrível. Mas agora que o meu professor me manda uns powerpoints do PSD (que acho que vão ser o seu programa de governo) ando mudado. Mas também mais confuso.

Eu sou leal e tenho um cérebro maleável. Outro dia, para me testar, defendi junto dos meus amigos que o Serviço Nacional de Saúde não devia acabar! Para quem não acreditava no que estava a dizer não me saí nada mal...

Mas para poder levar esta missão a sério eu precisava de perceber o que é que a dra. pensa de mais uns quantos temas e, já agora, se aquilo que o Alexandre Relvas e o António Borges dizem nos jornais é ou não a sério. Diga-me no que devo acreditar e eu passo a acreditar, é tudo uma questão de mind set, como se diz nos livros de gestão.

Eu decidi que vou passar a gostar de si e do Estado. Mas precisava de saber porquê e o meu professor não se explica muito bem. A única coisa que ele me pediu foi para tirar as minhas fotos no Sudoeste do perfil do Facebook...

Se me puder ajudar, agradecia. Mas se calhar basta dizer que somos contra o Sócrates. Conte comigo por uns tempos. Atenciosamente,"

Ricardo Costa in EXPRESSO

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Até à vitória final!

Num clima de grande euforia, os Pink Floyd acederam a fazer um concerto para se juntarem assim aos milhões de pessoas que correram para a rua ontem à noite, assim que se soube que o Necas tinha comprado o bilhete de avião, pondo fim aos violentos protestos que deflagraram um pouco por todo o mundo no seguimento do anuncio da renúncia à viagem.
Do alinhamento do concerto, que contou com grandes êxitos como "Careful with that axe, Necas" ou "wish you were there", ressalta o final com "Confortably Numb" numa clara alusão às condições previstas para a viagem.

Manufactured Landscapes

Mais um filme a nao perder. Let's look at a trailer:

quarta-feira, 15 de julho de 2009

E o povo pá?!

Estão neste preciso momento milhares de pessoas reunidas em praças e avenidas de todo o mundo juntos em protesto. As autoridades já admitiram terem perdido o controlo da situação. Os manifestantes ameaçam com actos de violência caso as suas exigências não sejam atendidas de imediato. Iremos acompanhar os protestos na medida das possibilidades dos bloggers responsáveis.

Documentos de Arquitectura

"The contemporary city is a media-architecture complex resulting from the proliferation of spatialized media platforms and the production of hybrid spatial ensembles. While this process has been underway at least since the development of technological images in the context of urban ‘modernization’ in the mid-19th century, its full implications are only coming to the fore with the extension of digital networks. In this respect, the term media city is designed to foreground the role of media technologies in the dynamic production of contemporary urban space, in Lefebvre’s (1991) sense of binding affect and cognition to space."
McQuire, Scott. "The Media City: Media, Architecture and Urban Space". SAGE

terça-feira, 14 de julho de 2009

ASAE é inconstitucional

Uma data deveras especial e que não podia passar em branco neste nosso blogue. Voltem bolas de berlim nas praias, alheiras de mirandela, farinheiras e talhos de feira em geral. Voltem as compotas caseiras, os vinhos da pipa do agricultor e as couves do quintal. Voltem as colheres de pau os galheteiros comunitários e o vinho a copo!
Costuma-se dizer que a justiça de portugal é lenta, mas boa e este caso confirma-o. Segundo o Público, o tribunal da relação de Lisboa considera a ASAE inconstitucional.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Moonhead


Curiosa a história desta música. No dia 20 de Julho de 1969 nos estúdios da BBC estava em directo um painel de cientistas a analisar a chegada do homem à lua. Numa sala ao lado estavam os Pink Floyd a fazer o mesmo. A fazer lembrar o que veio a ser o grande sucesso das suas carreias, Money (terá o titulo do álbum Dark Side of the Moon alguma coisa a ver com isto?), com um Rick especialmente inspirado, foi assim que os Quatro assistiram à história, segundo uma entrevista do Mestre. Faz lembrar o que Camões fez com os lusíadas. Não lhe bastou passear pela história. E faz-me pensar o quão impossível é ter deste espaço neste modelo civilizacional.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A preponderância chinesa

China, From Red to Green from 自曲新闻 on Vimeo.

Depois da modesta Toxi[cidade], um novo elogio à alta densidade, ao policentrismo e à multifuncionalidade programática da cidade sustentável. Semana dura para um dos bloggers deste cantinho virtual... Desta feita na China, onde se joga metade do futuro do ecossistema que nos suporta. São 10 minutos, a não perder.
A propósito, ir passando pelo ECOLECT BLOG aonde se vai reflectindo sobre esta problemática.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Papinha toda feita

É favor de clicar aqui e por em HD. Espero não ter que voltar a este assunto! Ou só terao os nossos ilustres leitores tempo para preparar as férias? É importante, porra!

the wall as a snake

Fotografia de Miguel Yuste no El País

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A Infocracia é uma inevitabilidade

Depois de ter anunciado aqui o primeiro parlamento infocrata do mundo, que é o AVAAZ, tenho a honra de anunciar o primeiro, digamos assim, ministério do primeiro governo infocrata do mundo. O ministério da economia da primeira infocracia do mundo é o KIVA. A sua política assenta no micro-crédito, na linha do Nobel Muhammad Yunus.
Helena Leite explica o conceito "Kiva é uma organização que junta pessoas de todo o mundo que têm capacidade de emprestar dinheiro e depois, através de de instituições de micro-crédito que trabalham no terreno e conhecem as realidades das pessoas que precisam de ajuda, canaliza esse dinheiro para projectos concretos."
Os investimentos sao apartir de 25$ e a remuneraçao é, obviamente, garantida.
É por assim dizer o ministério da Economia e da Solidariedade Social.
O Ministério tem uma comitiva portuguesa, com 338 membros, que já conta com um orçamento global de 27.925$ num total de 1063 projectos de investimento.

Razão ou instinto?

O post abaixo publicado pelo meu caro amigo, não me deixa indiferente.

Para enquadrar os nossos milhares de leitores, deixo uma breve nota explicativa de onde começou esta discussão.
Tudo começou numa noite turva de maduro tinto, em que começamos a discutir acerca do que nos distingue (Homem) dos restantes animais.
Na minha opinião, a diferença prende-se claramente com inteligência do Homem. Por outro lado, o animal age por instinto ainda que esse instinto tenha vindo a ser desenvolvido ao longo de milénios.

Perante esta minha ideia, o meu caro amigo começou a confrontar-me com exemplos que se encontram na natureza de animais que possuem ou demonstram ter caracteristicas normalmente atribuidas aos humanos.

Mostrou-me concretamente o caso do chipanzé "anticristo" que recolhia pedras durante o dia para as atirar aos visitantes, e agora o caso da aranha escultora.

Segundo este caro amigo (e corrige-me se estiver errado), a diferença de capacidade de raciocício entre um animal irracional (peço desculpa pela incoerência, mas tem mesmo que ser assim...façam um esforço) e o homem é uma questão de escala.

A diferença entre um copo de água e um oceano também é uma questão de escala.

A potência da bomba atómica é geralmente referida relativamente à potencia do TNT. O último teste nuclear feito na Russia foi com uma bomba de 50000000 toneladas de TNT. Também isto é escala!

Gostaria que me fosse mostrada uma notícia onde se relatasse a descoberta de um biblioteca dentro da uma gruta de ursos, ou do primeiro telescópio construido por babuinos...até me contentaria com a descoberta de algum código semehante à escrita utilizado pelos animais ditos irracionais.

O que é certo é que o homem contruiu lanças para se defender dos leões e neste milénios todos nunca se falou de um leão que usou um escudo para se defender!

Quanto à questão de que os animais pensam por instinto... bem, penso que há aqui uma incoerência semântica. O pensamento e o instinto são opostos.

Inteligência e instinto

"Uma equipa de investigadores de Taiwan descobriu uma espécie de aranha que constrói réplicas dela própria com restos de insectos e sacos de ovos, de forma a distrair os seus predadores." "A 'Cyclosa mulmeinensis' usa os restos das suas presas e sacos de ovos para criar vários duplos dela própria e assim desviar a atenção dos predadores. Apesar de a teia ficar mais visível, a verdade é que as vespas atacavam mais vezes as falsas aranhas do que o próprio aracnídeo." in DN

Um óptimo contributo para a teoria da inteligência como instinto, portanto não exclusiva do homem.
Fica-me muito menos turva (depois do chimpanzé apanhado a premeditar) a visão de que a inteligência humana é uma evolução dos instintos (não se pensa para pensar). É apenas uma questão de escala.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Momento Apostólico

Quanto mais o tempo passa, mais aprecio este papa, sendo que o único ponto de comparação que tenho é o pontificado de João Paulo II. Por definição não gosto de papas, e este não é excepção.
Ao papado do exoterismo, da fé como oposição ao conhecimento, através da devoção aos diversos fenómenos paranormais intelectualmente estéreis, ainda que ricos do ponto de vista das emoções, como o português "fátima" (a mensagem espremida é zero), e a muitos outros do mesmo género, ou das encíclicas dogmáticas, com a fé como motor da compaixão e outras expressões vazias de conteúdo, sobrepõe-se agora um papado que propõe a fé como via para o conhecimento - ainda que muito balizado nos grandes dogmas, não estivessemos a falar da santa madre igreja. Não foi por acaso que Bento XVI foi a África reiterar a ideia da proibição do preservativo: a igreja católica oferece uma filosofia de vida às pessoas, e é essa filosofia e não outra que tem garantido a vitalidade da instituição. Ele sabe que foi "eleito" para espalhar essa filosofia e não outra, e sabe que no dia em que o vaticano se propuser a oferecer outra filosofia, perde o sentido em menos de uma geração. A sida veio e vai, a igreja há-de perdurar. Quem quiser partilhar a filosofia que a santa sé oferece, terá de viver com o peso da responsabilidade que objectivamente tem, ao viabilizar a sua existência.
Longa introdução para louvar o esforço intelectual da encíclica "Caritas in veritate" anunciada hoje pelo vaticano. Não li as 127 páginas, mas li os preâmbulos e ressalta a ideia de um papa de esquerda, que compreende a globalização de forma muito madura e reclama para o mundo um modelo internacional de governo da globalização que atenda de modo coerente aos princípios da subsidiaridade e da solidariedade com o objectivo "de buscar o bem comum e comprometer-se com o fomento de um desenvolvimento humano integral inspirado nos valores da caridade e da verdade", reflectindo em seguida sobre a crise (que consta ter adiado a divulgação da encíclica), onde se constata o deficit de ética das estruturas económicas em colapso, traçando o caminho da rectidão humana, e do sentido do bem comum como única via para o desenvolvimento.
Poucas serão as instituições que dão um contributo tão profundo ao G-8 como está a dar a igreja de Ratzinger.
João Paulo II e a sua caricatura Diácono dos Remédios, possam perdoar-me o atrevimento, valha-me deus, estarão a dar voltas aonde repousam.

Metáforas da Infocracia

Imagem do NYTimes

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Argumento

Pela primeira vez na vida tenho um bom argumento para que as touradas não acabem: para que também não acabem protestos contra elas e consequentemente imagens como estas.

domingo, 5 de julho de 2009

SAMPARKOUR

Peço apenas 5 minutos da vossa preciosa atenção

SAMPARKOUR from Wiland Pinsdorf on Vimeo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Desnorte

Maquina do Tempo

Foi encontrado mais um auto-retrato de Michelangelo Buonarroti na capela paulina no Vaticano. Depois de ontem ter sido anunciada a descoberta de epiderme e derme de um dinossauro na América, esta é outra importante viagem no tempo.

Keep Talking


"For millions of years mankind lived just like the animals. Then something happenend which unleashed the power of our imagination: we learned to talk."

Stephen Hawking

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mesquinhez supérflua

Claro, basta cheirar a recuperação económica (há que lembrar que no parecer de todos nós esta crise não é apenas económica, e que a aparente recuperação em curso é apenas económica) e começam os disparates do capitalismo. Alguém teve a brilhante ideia de escrever num jornal que "É possível anular o impacto que a subida dos combustíveis tem na sua vida. Basta comprar barris de petróleo".
Esta é a irrefutável prova de que a Crise não acabou e que poderá abarcar ainda outras crises económicas, até que, através da fome ou da guerra ou de uma calamidade natural provocada pelo reequilíbrio que a natureza buscará reduzindo o número de humanos, se aniquile o zeitgeist que nos destrói tanto como nos entretém. Ao que parece somos fracos. Fracos e compráveis. As bolsas começam a subir e já todos esquecemos o que aprendemos sobre nós mesmos e a nossa vivência em sociedade global ao longo dos últimos meses.

domingo, 28 de junho de 2009

Verdade

Nos intervalos de um dos concertos do festival de blues aqui do burgo, lia-se o slogan do ayuntamiento: Que suerte vivir aquí.
Eu também acho.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A noite de S. Joao em Santa Cruz


Sim, eu sei que é no Porto. E no Porto é que é bom. Mas aqui foi perfeito. Como o é quase tudo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Documentos de Arquitectura

Making of da arquitectura-de-peças de Antón Garcia-Abril

Ensinamentos sobre construção

"(...) basta que recordemos a peremptória afirmação daquele famoso jesus de galileia que, nos seus melhores tempos, se gabou de ser capaz de destruir e reconstruir o templo entre a manhã e a noite de um único dia. Ignora-se se foi por falta de mão-de-obra ou de cimento que não o fez, ou se foi por ter chegado à sensata conclusão de que o trabalho não merecia a pena, considerando que se algo se vai destruir para construí-lo outra vez, melhor será deixar tudo como estava antes."
José Saramago in Viagem de Elefante

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Palavra de Saramago

"a crise do mundo, a merda em que estamos medidos e a falta de perspectivas para sair dela".
Assim mesmo define o que o apoquenta.

Documentos de Arquitectura

Rafael Moneo, capaz do pior e do melhor. A experimentação tem destas coisas. Aqui só cabe o melhor.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ponevos en guardia: Yo he decidido hablar en español!

Na Ibéria Oriental, ao que está sempre a hacer porros chama-se porreiro. Era bom que, com a previsível união para fins eleitorais dos lideres ibéricos durante a campanha para as legislativas, alguém dissesse ao doutor Socrates para não se virar para Zapatero, como fez com Barroso e dizer: Porreiro pá!

Documentos de Arquitectura

Uma outra figura central da arquitectura mundial. Peter Zumthor, a poesia da pedra.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Excitações

"A arquitectura serve para pouco. Contudo também entendi rapidamente que não basta a construção. É necessário, ainda que cumprindo com as funções, com o serviço da arquitectura, chegar mais além. A arquitectura significa uma espécie de libertação do jogo das funções, da resposta às funções. A um ponto tal que os espaços podem apresentar uma total disponibilidade. É nesse momento que se atinge uma autonomia, uma libertação das próprias funções. Essa libertação significa beleza. É, no fundo, o valor supremo da arquitectura."

Alvaro Siza
Fim de excitação.

O Boião de Cultura Ibérica

A TVE é a única verdadeira televisão pública da Ibéria. Já aquí o tinha afirmado a propósito da campanha americana que levou Barak Obama à Casa Branca e à relação primordial que mantém com a globalização. Vejam como lá são tratados os mestres culturais ibéricos.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Irão conseguir?


Luta-se no Irão. Estou lamentavelmente convicto que amanhã quando abrir um qualquer jornal on-line o número de mortes já se multiplicou. Nos últimos minutos morreram 8 pessoas. No REVOLUTIONARY ROAD estão a tentar a infocracia. A última vitória da real politik ou a primeira da infocracia?

A INFOCRACIA


Não consigo resumir num post a significância que atribuo à palavra infocracia. Nem num post nem em vários, uma vez que ainda ando à procura da sua definição completa. Há-de ser, no entanto, uma forma de organização social feita da resposta do ser humano, quando em sociedade, à tremenda alteração do seu habitat (virtual e real) produzida pela revolução da informação. Como qualquer animal, o homem reage ao meio para se adaptar. Isto para quem, como eu, acha que não há qualquer particularidade na essência humana relativamente aos demais animais. Há apenas particularidades instrumentais que nos fazem actualmente dominadores.
Para atalhar, os tempos vão fazendo mais claro o conceito. Uma das máximas expressões da infocracia é o www.avaaz.org
Sem preconceitos, olhem bem para o cerne da sua actividade. Pensem que podia ser um partido político, ou não se isso vos entorpecer o raciocínio. Pensem na obsolescência da real politik quando observado desse ponto, que não está à esquerda nem à direita, está por cima. Bem por cima.

sábado, 13 de junho de 2009

Previsão Falhada


Para mal dos nossos pecados, este cara-de-boa-pessoa acabou por ganhar. Resta-nos o esforço de entender os iranianos.

Pimba!

"Também lhe chamam Corpus Christi e é "dia de preceito" para os católicos, além de feriado oficial. Todos os fiéis deverão ir à missa (ser "dia de preceito" a tal obriga) para dar testemunho da presença real e substancial de Cristo na hóstia. E nada de pôr-se com dúvidas sobre a divina presença na pastilha ázima como sucedeu a um sacerdote chamado Pedro de Praga, no século XIII, não seja que se repita o tremebundo milagre de ver a hóstia transformar-se em carne e sangue, não simbólicos, mas autênticos, e ter de levar outra vez a sanguinolenta prova em solene procissão para a catedral de Oviedo, como complacentemente no-lo explica Wikipedia, fonte a que neste difícil transe tive de recorrer. O mundo era interessantíssimo naquele tempo. Hoje, o milagre de recuperar a economia e a banca passa por imprimir milhões de dólares a uma velocidade de vertigem e pô-los a circular, preenchendo assim um vazio com outro vazio, ou, por palavras menos arriscadas, substituindo a ausência de valor por um valor meramente suposto que só durará o que durar o consenso que o admitiu."

José Saramago in DN

Previsão

Este é o próximo world press photo se Ahmadinejad perder.
Não há identificação do autor



O Irão registou uma participação recorde nas eleições de sexta-feira, que podem ditar o fim da era Ahmadinejad. Tanto o Presidente iraniano como o principal rival, o reformista Mousavi, declararam vitória. Os resultados finais serão conhecidos nos próximos dias. © Lusa

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Expressão Popular Ibérica

Aqui, na Ibéria Oriental - curiosa a minha situação geográfica: estou no lado oriental da Ibéria, mas estou mais a ocidente do que o território continental da Ibéria Ocidental - mas voltando ao que aqui me faz escrever, na Ibéria Oriental dizia, existe uma expressão recente que serve para qualificar uma faixa social que é urbana, pouco evoluída culturalmente, resultado de um mix dos tempos de fartura dos anos 90 com a alienação a que isso nos levou. São os que exibem carros apetrechados e vidros fumados, cabelo espetado cheio de gel, brincos e fios ao pescoço, sapatilha da moda e óculo dourado. É uma expressão utilizada pelas classes mais instruídas e globalizadas para depreciativamente qualificar a redundância do formalismo que aqueles cultivam.
Essa expressão é: "é un cristiano ronaldo".
Como estereotipo não podia ter escolhido melhor sitio.

Le Monde Diplomatique

Grande texto de Vicenç Navarro no Le Monde Diplomatique versão espanhola deste mês. Não inventa nada de novo, mas tudo está inventado. Apenas sistematiza a origem da crise; escreve a primeira página da história desta história. Fica um excerto:

"Las causas profundas de la crisis económica actual son: en primer lugar, la enorme polarización de las rentas que se ha ido produciendo en Estados Unidos a partir de los años 1980 y que ha alcanzado su máxima expresión en estos primeros años del siglo XXI. En segundo lugar, también en Estados Unidos: la desregulación de la banca mediante la anulación, a mediados de los años 1980, de la ley Glass-Steagall Act que se había establecido precisamente después de la gran crisis de 1929 y durante la Gran Depresión para disminuir el excesivo poder de la Banca y proteger los ahorros de la población. Es menester analizar estas causas para prever consecuencias y soluciones."

Na ediçao portuguesa curiosidade sobre o artigo «Fim da globalização, começo da Europa?» de Frédéric Lordon. Se por acaso quem por passar com um Le Monde Diplomatique debaixo do braço (ou do scanner) e o quiser distribuir, este emigrante agradece.
Desde o assassinato do Courrier Internacional, passando-o a revista, o LMD passou a ser o melhor jornal português. Podia era ser semanal.

quarta-feira, 10 de junho de 2009


No dia de Portugal e mais não sei o quê o senhor presidente Cavaco decide falar sobre um dos assuntos mais importantes da actualidade: a gestão dos recursos das forças armadas(!). Pelo meio ainda dá um puxão de orelhas aos portugueses, porque não foram votar, que era o que a minha mãe fazia quando eu não ia à missa. Sr. presidente veja bem no que isso deu!
Salva-nos o discurso de António Barreto, que apela à responsabilidade - também do irresponsável presidente neste discurso. Só não concordo com o "dar o exemplo". Essa não pode ser a motivação.

Imagem do kaos

terça-feira, 9 de junho de 2009

Benfiquismo

Manuel Vilarinho afirmou que "Benfiquista sou eu, e mais dez ou vinte."
Eu a pensar que eram dez ou vinte milhões.

HOME

Isto não é uma sugestão. Também não é um convite ao entretenimento. Mas tampouco daqui resultarão reflexões profundas. É um repto que se lança, para que doravante TODOS possamos discutir partindo do mesmo nível. É uma certificação de que estaremos a falar da mesma coisa. É a base da gramática do próximo passo. Vejam e passem a palavra. A todos. É urgente. Ou já foi.

Refiro-me, como já aqui me referi ao "HOME" de Yann Arthus-Bertrand. Vou quebrar a lei. Isto é mais importante.

Estão proibidas desculpas para não se ter visto. E não se ter passado a palavra. Nenhuma outra circunstancia da existência humana permitiria esta facilidade. Isso deverá RESPONSABILIZAR-NOS e não ALIENAR-NOS!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Derrota eleitoral

Em seguida iremos ter os fantasmas da ingovernabilidade e o perigo dos partidos fora do centro a pairar sobre o país. Pacheco Pereira já começou a santa aliança PS-PSD que se segue: "quando ninguém emprestar dinheiro a Portugal, agradeça ao seu amigo que votou BE". Democracia muito bem, mas nem tanto!
A queda do centro é quase exclusiva de Portugal nestas europeias. Parece-me o dado mais relevante destas eleições: pois não querem ver que o povo quer pôr os deputados e o presidente a trabalhar, como terá de acontecer se o centro somar outra derrota em Setembro?

Adenda.
Um estudo feito no blogue "margens de erro" imagina que estas eleições eram as de Setembro e distribui os deputados de acordo com os círculos eleitorais. Ao contrário da argumentação que o centro se prepara para usar até Setembro, eu acho que teríamos uma democracia muito mais saudável assim: (obviamente não me refiro à posição de cada partido)
PSD: 95 deputados
PS: 72 deputados
CDU: 24 deputados
BE: 23 deputados
CDS: 15 deputados
MEP: 1 deputado

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Generic Atlantic

A pedido de várias famílias (a minha incluída) 3 séries de fotografias (não tenho fotografado muito). A primeira, são as vistas aqui do estúdio. Um 8º piso em frente ao Atlântico, na baixa da cidade. A segunda é uma "coisa" do Santiago Calatrava muito fotogénica por sinal. A terceira é o TEA, um centro de artes e cultura com uma biblioteca que está aberta 24 horas por dia (que tal o conceito? espaço público é público 24 sobre 24). Um grande projecto da dupla suíça Jacques Herzog y Pierre de Meuron.

O Mundo É a Nossa Casa

Hoje, a estreia global muito aguardada do filme documentário "Home" de Yann Arthus-Bertrand. Em Portugal para além dos cinemas, passa na RTP2 pelas 20.30. Deve ser na onda Baraka mas parece que há falas. Por falar em Baraka, deve estar a ficar pronto o novo filme do Ron Fricke: Samsara.

A propósito, a NASA divulgou algumas imagens reveladoras das consequências desta nossa filosofia do capital. A não perder (de vista a nossa irresponsabilidade).






quinta-feira, 4 de junho de 2009

Serenissima

Eu sei que o único engenheiro que costuma visitar este blogue é contra estas merdas por convicção moral, mas desta feita vai ter que abrir uma excepção. Mais um passo rumo ao tele-transporte: não somos nós que nos deslocamos para outro lugar, são os outros lugares que se deslocam até nós. Desta feita, andar por Veneza no seu auge, numa simulação hiperreal.

Catolicismo segundo Saramago

"À Igreja Católica importa pouco ou nada o destino das almas, o seu objectivo sempre foi controlar os corpos, e o laicismo é a primeira porta por onde começam a escapar-lhe esses corpos, e de caminho os espíritos, já que uns não vão sem os outros aonde quer que seja. A questão do laicismo não passa, portanto, de uma primeira escaramuça. A autêntica confrontação chegará quando finalmente se opuserem crença e descrença, indo esta à luta com o seu verdadeiro nome: ateísmo. O mais são jogos de palavras."
(artigo completo)

José Saramago in DN

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O presidente Cavaco a dar o exemplo

O dinheiro do presidente Cavaco anda desaparecido, de acordo com o próprio. Visto tratar-se da mais alta figura do estado (de sítio em que o lado ocidental da Ibéria se tornou) apelo a quem o encontrar que o devolva. Vou também abrir uma vaquinha no paypal para que possamos dar uma prenda ao presidente Cavaco por alturas do Natal.

Viram como é possível falar de presidente Cavaco e de Natal na mesma frase sem falar em bolo rei?

Onde é que estavas no 25 de Abril?

"Tudo isto é muito mau: a mediocridade dos dirigentes; a incultura e a ignorância dos quadros intermédios; o culto da competitividade como modo e forma de triunfo; o apagamento da cidadania; a liturgia do dinheiro como expressão única de ascensão. A natureza profunda do envilecimento do regime encontra-se na péssima qualidade dos seus dirigentes. Esta democracia é uma miséria. Mas é minha. Também eu a construí. Lá estarei a votar."

Baptista-Bastos in DN

terça-feira, 2 de junho de 2009

Antropologia da Sobremodernidade

"Em África, um velho que morre é uma biblioteca que arde"
Hampaté Ba

Bolsa de Valores de Votos

Para quem não conhece, isto é uma publicação poliglota europeia, que traduz artigos de referência publicados nos diversos estados.
Aqui, entenderão como se consegue ganhar eleições em alguns sítios na Europa...

Por eleições, recordo-me de um conselho dado por não-sei-quem que recomendava que se soubesse o nome e o discurso, do oitavo ou do nono da lista para as eleições europeias. Recomendava aquilo que não é demais pedir a uma sociedade da informação: que se informe e que se deixe de sentimentos infantis de fanatismo partidário. Acrescento eu que, ao contrário do que se costuma apregoar, não se deverá votar caso não se esteja devidamente informado, quer por falta de meios, quer por falta de vontade. Nunca! Na minha perspectiva, esta tem que ser a leitura da abstenção. Infelizmente, ainda existe no bolo da não abstenção muitos votos que deviam ser abstenções. Bastaria perguntar a quem vai passando por aqui se sabe quem são, ou quais são as linhas gerais do pensamento político dos candidatos que estão nos lugares que podem ou não ser eleitos pelo partido no qual pensa votar.
Tudo isto para perguntar se alguém sabe quem é aquela mulher linda que é número dois do BE.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A primeira praça deste blogue

"Lá estou, sentado no meio do largo, com um livro na mão, a ver quem passa. Fizeram-me um pouco maior que o tamanho natural, suponho que para que se me veja melhor. Não sei quantos anos irei estar ali."
José Saramago in Diário de Notícias

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Benicio del Toro

"Benicio del Toro recusa filmagens com folhas de coca", "O actor teve receio de ser associado ao consumo de cocaína ao filmar a cena".
In IOL Portugal Diário

Compreende-se. Depois de "Fear and Loathing in Las Vegas", uma cena com folhas de coca podia pôr o mundo a pensar que o Benicio é um grande drogado.

Graciano Saga - Vem Devagar Emigrante

É, para mim, a melhor perola da música portuguesa. O drama, o horror, o diz-que-disse, a pátria e a morte.

O Desencanto Segundo Saramago

"Todos os dias desaparecem espécies animais e vegetais, idiomas, ofícios. Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Cada dia há uma minoria que sabe mais e uma minoria que sabe menos. A ignorância expande-se de forma aterradora. Temos um gravíssimo problema na redistribuição da riqueza. A exploração chegou a requintes diabólicos. As multinacionais dominam o mundo. Não sei se são as sombras ou as imagens que nos ocultam a realidade. Podemos discutir sobre o tema infinitamente, o certo é que perdemos capacidade crítica para analisar o que se passa no mundo. Daí que pareça que estamos encerrados na caverna de Platão. Abandonamos a nossa responsabilidade de pensar, de actuar. Convertemo-nos em seres inertes sem a capacidade de indignação, de inconformismo e de protesto que nos caracterizou durante muitos anos. Estamos a chegar ao fim de uma civilização e não gosto da que se anuncia. O neo-liberalismo, em minha opinião, é um novo totalitarismo disfarçado de democracia, da qual não mantém mais que as aparências. O centro comercial é o símbolo desse novo mundo. Mas há outro pequeno mundo que desaparece, o das pequenas indústrias e do artesanato. Está claro que tudo tem de morrer, mas há gente que, enquanto vive, tem a construir a sua própria felicidade, e esses são eliminados. Perdem a batalha pela sobrevivência, não suportaram viver segundo as regras do sistema. Vão-se como vencidos, mas com a dignidade intacta, simplesmente dizendo que se retiram porque não querem este mundo."

José Saramago in DN de 29 de Maio de 2009

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Quando se pensa que está tudo inventado...

Ibéria Cristã

Até por motivos funcionais, a discussão religiosa não é muito diferente por toda a Ibéria. Talvez um pouco mais radical no lado Este. Hoje no topo do El País on-line pode se ficar a saber que:
"El cardenal pide perdón por los abusos a menores en escuelas católicas irlandesas pero las compara con 'los millones de vidas destruidas' por el aborto" com o título "Cañizares considera el abuso sexual nenos grave que el aborto" e que "El arzobispado de Madrid dice que 'al desligar sexo y matrimonio' 'deja de tener sentido' verlo [a violação] como delito" com o títuo "¿Y despenalizamos la violación?."
As igrejas oferecem um modo e uma filosofia de vida. Começa a ser urgente que as pessoas que partilham essa filosofia se sintam responsáveis por ela, ou pelo menos pela sua perpetuação.

De génio





Alberto João Jardim questionado sobre a sondagem que aponta para um empate técnico entre PSD e PS para as eleições europeias, começou por dizer que não comenta sondagens e que «de empates estou eu farto no Marítimo".

Fonte "http://www.margensdeerro.blogspot.com/"

terça-feira, 26 de maio de 2009

Protesto!

Hoje, este blogger está mudo, à excepção das presentes palavras, em protesto contra a falta de massa critica das sociedades, grandes ou pequenas; países ou blogues.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Viva a preguiça!

"O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, apelou hoje ao voto dos portugueses nas eleições europeias de 7 de Junho, pedindo que "não vão para férias" nem aproveitem os feriados desse período e exerçam o seu direito cívico."
In "O Público on-line"

Disparate pegado. O senhor Presidente, em vez de estar a fazer de paizinho da nação infantil e irresponsável, deveria ter feito de paizinho da assembleia da república infantil e irresponsável (a assembleia e a república) e já devia ter obrigado o governo e os deputados a elaborarem um sistema de voto electrónico (não somos nós os pioneiros das tecnologias?! plano tecnológico e magalhães...). Mas que raio de concepção de democracia é esta, em que os deputados faltam às votações para irem de férias e as pessoas faltam às férias para irem a votos, quando as pessoas podem votar em férias, e os deputados parece que estão de férias quando votam?
Começou assim a encenação que sempre se leva a cabo nestas alturas, para que se encontrem os culpados pela abstenção. Esta tarefa cabe por inerência do cargo ao Presidente da República, que continua a preferir meter a cabeça na areia fazendo de conta que acredita que a abstenção se vai dever à praia e ao sol. A praia e o Sol já o eram muito antes da democracia e da república! E a abstenção é uma mensagem tão clara, como o é o voto no partido X ou o voto em nenhum dos partidos. Devia ser.

À Bastonada

sábado, 23 de maio de 2009

Finalmente, a Ibéria

Aqui um momento histórico na inevitável Península.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Para ouvir até ao fim

Pelo menos "PS: O Poder da Alteração"...



Há tempos andei a fazer um inquérito, sem qualquer tipo de valia científica, em que perguntava às pessoas que me rodeavam qual era o slogan de cartaz político que primeiro lhes vinha à cabeça. A maioria respondia "a força da mudança". A pergunta devia-se a um cartaz de um candidato à Câmara de Famalicão, que me pareceu revelador do deserto de ideias que ocupa as campanhas autárquicas em Portugal: nem para o slogan há ideias.
Hoje abro O Público on-line e eis que Sócrates resolve anunciar o que pensa: "PS: A Força da Mudança"

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Manual de boas práticas públicas

Diz-se que na nobre e grande cidade grega de Éfeso há uma velha lei instituída pelos antepassados, talvez de grande dureza, mas não juridicamente injusta. Quando um arquitecto recebe o encargo de uma obra pública, responsabiliza-se pelo seu preço final. Entregue a estimativa ao magistrado, ficam hipotecados os seus bens, até que a obra esteja concluída. No fim, correspondendo as despesas ao orçamento, o arquitecto é cumulado de louvores públicos e de honras. Se não ultrapassou em mais de um quarto o cálculo inicial da obra, serão os custos suportados pelo erário público e não lhe será aplicada qualquer sanção. Todavia, se tiver gasto mais do que a quarta parte, será obrigado a pagar do seu próprio bolso até perfazer o débito.

In "Vitruvio, Tratado de Arquitectura" Livro X, 1

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Já no Sec. I Antes de Crist[ian]o

Os antigos gregos cumulam de tão grandes honras os gloriosos atletas que venciam em Olímpia, Corinto e Némea que não apenas lhes prestavam louvores com palma e coroa enquanto permaneciam nos jogos, como também, ao regressarem vitoriosos às suas cidades, os levavam triunfantes em quadrigas para dentro dos recintos e para a pátria, sendo-lhes atribuida uma pensão vitalícia suportada pela Estado. Ao dar conta disto, fico surpreendido por não serem atribuídas as mesmas honras, ou até maiores, aos escritores, que prestam imensos serviços à Humanidade através dos tempos. Seria mais que justo que não se reconhecesse apenas que os atletas revigoram os seus corpos através dos exercícios físicos, mas que também os escritores, além de aprofundarem os próprios conhecimentos, aprofundam igualmente os de todos através do ensino dos livros e do despertar dos ânimos.
Que utilidade tem para os homens o facto de Milao de Crotona ter sido invencível nos jogos ou que outros tenham do mesmo modo sido vencedores, a nao ser o de serem famosos entre os seus concidadãos enquanto viveram? Todavia, os ensinamentos de Pitágoras, Demócrito, Platão, Aristóteles e outros sábios produzem frutos sempre frescos e florescentes, com estudo quotidiano e contínua procura, não só pelos seus concidadãos como também por toda a Humanidade. Graças a eles, todos os que desde tenros anos se saciam com esta abundância de doutrinas revelam a maior sensibilidade pelo conhecimento, legislam para os cidadãos regras da Humanidade, direitos iguais e leis sem as quais nenhum Estado pode manter-se incólume.

in "Vitruvio, Tratado de Arquitectura" Livro IX, 1 e 2

terça-feira, 19 de maio de 2009

Adenda ao último post

Entretanto chegaram as tais gravações do big brother e algo mais a acrescentar. Não me espanta, honestamente, o conteúdo da lição da senhora doutora professora de história (espero que seja assim que prefere ser tratada, caso contrário adianto as minhas desculpas). Eu, como a mãe da aluna, também frequentei doze anos do ensino em Portugal e, o nível médio do conhecimento técnico e da cultura geral dos docentes é ridículo. Não é por acaso que Portugal se encontra à deriva, e esta é uma das mais fortes razoes (não a única, claro).
A substância da pergunta, no entanto, mantém-se: como cabem as duas notícias na mesma república?

segunda-feira, 18 de maio de 2009

¿país, qual país?

Alguém me explica como é que estas duas notícias coexistem na mesma república?

1.Luís Amado defende Lopes da Mota no Eurojust (notícia inteira)
2.Professora de Espinho suspensa por alegada conversa sobre orgias na sala de aula (notícia inteira)

Foram ambos alvo de processos disciplinares e aguardam que se decida das suas culpas. Na escola não pode estar um professor que possivelmente tenha falado de poligamia, no seu termo mais popular, mas no Eurojust pode estar quem tenha possivelmente condicionado a justiça no exercício do cargo que desempenha. Ambos podem reincidir, mas antes um país injusto do que poligâmico!

ÁGUAS QUE CURAM O ALCOOLISMO

E na Arcádia há uma cidade não desconhecida, chamada Clitor, em cujo território há uma água nascendo de uma gruta, ficando abstémios os que dela bebem. Junto desta fonte está inscrito numa pedra um epigrama com uma frase em versos gregos, dizendo que esta água não só é boa para lavar, como também é inimiga das videiras, porque, junto desta fonte, Meleampo, oferecendo sacrifícios, libertou da loucura as filhas de Preto e restituiu as mentes destas virgens à primitiva sanidade. Com efeito, o epigrama que lá está inscrito é o seguinte:

Ó homem do campo, quando a sede te entorpece
ao meio-dia junto dos teus rebanhos,
ao chegares às fronteiras de Clitor
retira a cobertura da minha fonte
e entre as ninfas aquáticas faz suster todo o teu rebanho!
Não deites, todavia, água sobre tua pele,
para que a aura de uma agradável embriaguez
não te atinja quando ela te submergir;
deixa, pois, esta fonte inimiga da vinha,
onde Melampo, depois de ter salvo as Prétides da sua loucura,
submergiu totalmente o secreto instrumento do sacrifício,
ao mesmo tempo qe, a partir de Argos,
elas se dirigiam para os montes da rochosa Arcádia.

in "Vitrúvio, Tratado de Arquitectura" livro VIII, 21

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Um choque cultural por 1,20€

Já que não havia sono para la siesta, fui explanar para uma rambla perto de casa - tipo Av. 25 de Abril em Famalicão, mas com a placa central a servir para alguma coisa, como é obvio (!) – munido de um El País comprado num dos quiosques que a pontuam. Ao cabo da página 2 já me estava a recordar do que disse ao Ruca em terras limianas, depois de um sarrabulho, durante uma discussão sobre a diferença que na altura pensava existir entre a integração na globalidade de Portugal e Espanha: “É mais verdadeiro quem vive em verdade com o seu tempo, e num tempo Global a relação dos media de nuestros hermanos com as suas ex-colónias ou com as esquinas da globalização quando comparada com os nossos, é uma forma eficaz de medir a verdade em que o povo vive.”

Lembro-me na altura de ter dado o exemplo do tratamento dos debates presidenciais americanos (em Espanha passaram em directo, com mesas redondas antes e depois, apesar de ser uma da manha, enquanto a nossa televisão dava uma novela brasileira ou dinheiro a quem acertasse numas palavras cruzadas absurdas) e da frequência que os assuntos da comunidade que fala o castelhano são abordados nos telediarios.

Voltando à página 2 do El País, escreve-se em título: “Chávez lanza su revolución cultural” desenvolvendo-se o tema do novo Plan Revolucionario de Lectura que pretende dar seguimento ao Programa de Alfabetización que reduziu o analfabetismo de maiores de 15 anos de 9% para 6% e que irá pôr a população a ler material ideológico-político, de Bolívar a Simon Rodriguez, de Orlando Araújo a Ludovico Silva e claro de Chavez a Che. Na notícia, louva-se quando é louvável e reprova-se quando é reprovável, como deveria acontecer em qualquer país ocidental.

Na página 3 fala-se da Guatemala, onde o Presidente Colom ao que parece mandou matar el abogado Rosenberg que iria denunciar corrupção na administração Colom, que se recusa a demitir apesar da pressão de que está a ser alvo, principalmente depois desta página 3 ter sido escrita.

Papa no Médio Oriente, Barack Obama em Guantânamo e a nomeação de um hispânico para secretario para a America Latina, Berlusconi e a imigração, Gordon e a pouca vergonha parlamentar, Índia e as eleições e por aí adiante.

À página décima segunda chegamos a Espanha e à bela Sonsoles Zapatero.

Chego à página 32 e dou com um caderno central composto por artigos do New York Times, traduzido, por supuesto. A última parte do jornal trata de assuntos maioritariamente europeus e de cultura nacional e internacional.

Mas será que alguém em Portugal faz puto de ideia sobre o que pensa, de bem e de mal, o Movimento dos Sem Terra no Brasil, sobre a corrupção e os que morrem por ela em Angola, ou o que pensam os intelectuais em Times Square, quando se compra O Público? De Times Square, ou de lá perto, sabe-se do orgulho lusitano de um cão que habita a casa branca; de Angola sabe-se que o Eduardo dos Santos é espectacular e que faz tudo bem (pelo menos enquanto a filha der de comer ao banqueiros e construtores lusos), e do MST sabe-se que partem umas coisas de vez em quando, ou que escreve uns artigos e uns livros.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mudam-se os tempos...

Esta é a prova cabal de que a tal responsabilidade (para já moral, mas talvez legal mais depressa do que se imagina) que tenho vindo a falar já está nas páginas dos jornais, e pasme-se, patrocinado por gigantes do capitalismo, neste caso a Sonae Sierra. Sonhemos então com um mundo em que a ignorância não serve de desculpa - moral ou legal.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

The Ruins of the Future

Every success harbours the seeds of its own failure. Somewhere in the hubristic peak of what feels like complete accomplishment lurks the complacency, arrogance and absence of doubt that fans the inevitable, all-consuming bonfire of vanities. It's just this kind of raging self-immolation that has cindered the global economic landscape - in days, the terrain completely transformed.

This swiftness of the transformation hits built culture hard. The economic collapse has revealed the world as a place undescribed by the maps and charts we had drawn. Designed for one scenario, buildings find themselves completed in a different landscape, appearing on the skyline like giant mausolea for a failed ideology, or abandoned half-built like freshly minted ruins.

The markets had evolved into hyper sophisticated, super-calibrated, cleverly geared systems whose logics supported an ever-finer kind of abstraction. They became a machine for manufacturing value and growth in vaporous form, decoupled from substance. Their failure is the failure of a particular kind of technological, algorithmically programmed fantasy of abstraction.

History suggests that the construction of the most ambitious architectural projects immediately precedes the deepest economic slumps. And that's exactly what we've seen in progression from the Guggenheim Bilbao to the cities from zero in the Gulf. This headline grabbing architecture has been driven by the logic of the boom. That's to say, the ideology of the global market has been the context for architecture. These projects attempted to turn the flush of cash and credit delivered by fluctuations of abstract systems into something real: a thing or a place. They sprung up in the ruins of industry or were fueled by the fleeting bounty of mineral extraction. And they were designed around the most distracted and least reliable kind of programme: tourism. Each project competing as a destination to max out vacationers credit lines. It's created an architecture of spectacular, hollow unreality: based on unreal money, housing unreal programmes.

This unreality has infused architectural production, often finding resolution in hysterical, liquid, fluid form at audacious scale - the kind of thing recently dubbed 'Parametricism'. (Note: Just as the height of building might be a warning sign of impending turmoil, the articulation of a stylistic manifesto is a sure sign of hubristic overconfidence). Displays of beyond-human formal complexity drop out of the computational design systems employed in the search for exoticism and difference - a difference that was demanded by the market pluralism of ultra capitalism. Appropriately, these projects seem to use the very same kind of tools that has maximized, magnified, and deepened our current financial crisis. If the Modern movement had the abstraction of industry as its reference, millennial architecture had the systemized abstraction of late capitalism.

This union of ideology and form has decoupled in dramatic fashion. The swift disjunction leaves a generation of architecture rendered instantly out of time - as un-possible as Gothic architecture in the Renaissance. These glistening new-ruins are adrift in the landscape of global recession, abandoned like ghost ships, doomed to unknown fates.

Architecture stands as a record of sensations long vanished. Through it we can vicariously experience sensations of vanished cultures. At Versailles we can feel the vanity, excess, and self-glorification of pre-revolutionary France; At Chartres, the soaring, overbearing might and mysticism of medieval religion; At Stonehenge we feel the presence of something than we will never know.

Tomorrows visitors to todays (or yesterdays) iconic buildings will feel the swoosh of volumes, the cranked out impossibility of structure, the lightheadedness of refection and translucencies. They will marvel at buildings that hardly touch the ground, which swoop into the air as though drawn up by the jet stream. They will feel stretched by elongated angles that seem sucked into vanishing points that confound perspective, and will be seduced by curves of such overblown sensuality. And in this litany of affects they will find the most permanent record of the heady liquid state of mind of millennial abstract-boom economics. We might rechristen these freakish sites as museums of late capitalist experience, monuments to a never to be repeated faith in the global market.

in http://www.strangeharvest.com/; Posted by anothersam

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.

Caríssimos e raríssimos leitores:

Não deixem, por favor, de ir urgentemente a uma sala de cinema perto de vós, para apreciarem um enorme filme, um daqueles filmes que são cinema. Este vosso amigo garante-vos que não é todos os dias (nem todos os anos) que se pode ir ao cinema ver um filme como o Blindness (Ensaio Sobre a Cegueira). A fotografia é irrepreensível, a técnica leva os sentidos ao rubro da cegueira, e a história é uma lição, como sempre foi desde a versão em livro. De facto, só um cego pode considerar estúpida a metaforização do ensaio sobre a cegueira. Mas um cego que vê branco, nunca um que vê preto. Ide, por favor.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

FLESH

Obrigatoriamente a ver

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Shame on you!

Sob o pretexto de que ninguém marca a agenda do PS, senão o próprio – qual Valentim! – hoje, no parlamento chumbou-se a alteração à lei do casamento, que permitiria o casamento entre homossexuais. A agenda… O PS subverte assim aquilo que o pariu, a ele e a todos os outros partidos. A agenda de um partido passa a ser mais importante do que a agenda de pessoas, que, só por não terem as preferências, no caso sexuais e afectivas, da maioria, se vêm privados de serem felizes, por uma questão de AGENDA do PS. AGENDA… Mas será que aquelas pessoas não conseguem entender a razão porque estão lá? A verdadeira, não essa! Eles estão lá porque era necessário criar um fórum representativo do povo que legislasse no interesse de todos. Entretanto convenceram essa gente que estavam lá porque tinham um cartão com uma cor, e sem cor, não havia cartão, e sem cartão não havia lugar, e sem lugar, muitos deles não tinham capacidades para estar em mais lado nenhum àquele nível… E eles como não têm cabecinha para pensar, porque é para isso que lá foram postos, meteram o cartão na ranhura e toca a votar contra, qual rebanho da igreja… Tudo por uma questão de agenda. Então não é que, enquanto estudante na Universidade de Coimbra me ensinaram a respeitar o Martins, porque tinha dado o corpo contra o regime, ao insurgir-se contra o Marcello Caetano e o seu entretanto-desculpado-amigo e ministro Hermano Saraiva na inauguração das Matemáticas? E não é que esse Martins, agora líder da bancada parlamentar se esqueceu do porquê da sua luta, inviabilizando através da disciplina parlamentar o casamento homossexual? Assim sendo, parece-me estúpida a indignação contra a sua prisão na rebelião de Coimbra! Ele estava sujeito a disciplina de opinião, porra! Porque raio é que se foi insurgir? Ah! Já sei… Porque lutava pelos ideais, mas agora já é velho para isso. -Isso é para os jovens… não pensam! Lutar pelos ideais… isso não se compara a uma agenda política. Agenda! Política! Isso é de homem, agora ideais? Vai majé tgabalhag seu pgeguiçoso!


Quero dizer aqui, que poucos me ouvem, que hoje sou homossexual, e hoje este blogue é um blogue gay e lésbico, maricas e paneleiro.

domingo, 5 de outubro de 2008

o poder político e o sulismo

Declaração de interesses: postei isto antes do jogo sporting-porto de logo. É evidente, no final do video, uma relação entre o anti-portismo e o poder instalado no cada-vez-menos-nosso país.... VERGONHA!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Longe da escala global

Já podia ter escrito sobre isto aquando dos outros debates entre os candidatos à presidência americana, mas não tive paciência... o copo transbordou. Com o processo da globalização o mundo está mais pequeno (aliás, os efeitos ocidentais da crise do sub prime americano são a prova disso mesmo), e o avanço cultural dos povos mede-se hoje, como nunca, pela sua capacidade de integração na cultura global, a que todos estamos obrigados, se pretendemos ter uma visão holística do mundo como modo de alcançarmos a excelência individual e colectiva.
Na passada madrugada houve um debate entre os candidatos a vice-presidentes dos EUA. Em Portugal todas as famílias pagam uma taxa de televisão, que está incluída na conta da água ou da luz, e depois há portugueses que pagam um outro serviço televisivo por cabo ou por satélite, que lhes dá acesso a uma panóplia de canais, aonde ontem podiam ter visto o debate americano.
Ontem e, repito, nos dias dos debates entre os candidatos, os portugueses que só pagam a taxa de televisão não puderam ver nada disto porque nem a televisão pública achou que era um serviço público, nem a privada um bom negócio. Nem vou perder tempo a descrever o que estava a dar na televisão portuguesa àquela hora.
Mas há, nestas matérias, um terceiro tipo de portugueses, que vivendo perto da fronteira, pagam a taxa de televisão portuguesa, mas têm acesso à televisão espanhola. E, é claro que, num país que convive de forma muito activa com a globalização (basta ir a Barcelona), faz parte do serviço público de televisão, transmitir em directo estes debates (pena que seja dobrado em castelhano, mas também isso é um serviço público). Em Espanha, ontem, e na noite dos outros debates não foi mais importante um filme do main stream de Hollywood, ou programas que desafiam a inteligência do país, no desígnio nacional de se desvendarem artigos de casa de banho com cinco letras em troca de quinhentos euros! E, acreditem, eles também têm uma televisão fraquinha como a nossa. A questão é outra: o significado de globalização em Espanha é muito diferente do nosso. Têm dúvidas?
Basta ver como eles, ainda ao nível da televisão, se relacionam com as ex-colónias da América do Sul e como nós não fazemos ideia do que se passa numa das mais importantes esquinas da globalização como é o Brasil, ou num país em prometedor desenvolvimento como Angola (se bem que eu para esta, tenho uma explicação: não interessa que se saiba). Parece que a nossa globalização se esgota no pretensiosismo nacionalista e bacoco das Caravelas, do Magalhães e do Vasco da Gama.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O verdadeiro prémio Capitão Moura

Isto dos Top´s de vendas fez-me lembrar uma história. Procurei, procurei, procurei, e encontrei. Penso que hoje o nosso bloguezito fica mais rico... é como se passasse à maioridade. Fica a tradução:

stillness of heart - lenny kravitz
sweet child o' mine - sheril crow
carla - ls jack
o segundo sol - cássia eller

avril lavigne - knockin' on heavens door
jquest - só hoje
diana krall - i've got you under my skin
ivete sangalo - somente eu e você

mariah carey - bringin' on the heartbreak
milton nascimento - quem sabe isso quer dizer amor
norah jones - don't know why
kid abelha - nada sei "mp3"

busta rhymes and mariah carey - i know what you want
capital inicial - como devia estar
eminem - sing for the moment
cpm22 - dias atrás


Um outro ponto de vista

A lista dos 10 discos mais vendidos em Portugal:

1. «Death Magnetic» - Metallica
2. «Mamma Mia» - Vários
3. «Terra» - Mariza
4. «The Story» - Brandi Carlile
5. «Best Of: 20 Anos de Canções» - Tony Carreira
6. «Viva La Vida...» - Coldplay
7. «ABBA Gold» - ABBA
8. «Just Girls» - Just Girls
9. «Viva O Verão» - M3
10. «Cocktail» - Irmãos Verdades

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Portugal revela o seu bom gosto

Será que isto o pode motivar a vir cá tocar pra gente?!

"Tuesday 30th September 2008

Chart Positions

Chart positions have come in from around the world for the Live In Gdańsk album: Portugal – 9; UK – 10; Italy – 11; Germany – 12; Switzerland – 14; Holland – 15; Poland – 18; New Zealand – 20; Ireland – 22; Austria – 28; Norway – 34; Belgium – 36."